A luta em defesa da democracia e o desaparecimento do deputado catarinense Paulo Stuart Wrigth (1933 – 1973), durante o regime militar, serão lembrados em dois eventos a serem realizados na Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina e na UFSC, no final de setembro.
No dia 29, terça-feira, o Poder Legislativo Catarinense realizará, no Plenarinho deputado Paulo Stuart Wrigth, uma homenagem em memória aos 56 anos do desaparecimento do parlamentar catarinense. Na quarta-feira (30) acontece a palestra e debate – Reformas de Base, resistência a ditadura e direito a memória – no auditório do CFH-UFSC, com Alípio de Freitas, que foi secretário de organização das Reformas de Base no Brasil até o ano de 1964 e atualmente vive em Portugal. Alípio também foi colega do ex-deputado Paulo Stuart Wrigth (desaparecido em 1973), exilado e preso político.
Progamação:
Dia 29 de setembro:
Homenagem da Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina em memória aos 56 anos do desaparecimento de Paulo Stuart Wrigth.
- Local: Plenarinho deputado Paulo Stuart Wrigth.
- Horário: 19h
Dia 30 de setembro
Tema:
- Palestra e Debate – Reformas de base, resistência a ditadura e direito a memória.
- Palestra com Alípio de Freitas
Alípio de Freitas foi secretário de organização das Reformas de Base no Brasil até o ano de 1964 e atualmente vive em Portugal. Foi colega do ex-deputado catarinense Paulo Stuart Wrigth (desaparecido desde 1973), exilado e preso político.
Local:
- Auditório do CFH-UFSC
- Horário: 14h.
Promoção: Assembléia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) e Memorial dos Mortos e Desaparecidos (UFSC-UDESC-ALESC) – Instituto Paulo Stuart Wrigth (IPSW) – Pró-Memória (Comitê Catarinense da Memória dos Mortos e desaparecidos políticos) – Sindicato dos Servidores da Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Sindalesc) – Sindicato dos Trabalhadores dos Correios (Sintract).
Quem foi Paulo Stuart Wrigth
Catarinense de Joaçaba, filho de missionários presbiterianos norte-americanos, Stuart nasceu em 1933. Ainda jovem, viveu em Los Angeles (EUA), onde, estudante de pós-graduação em sociologia,chegou a trabalhar na construção civil e fundou um grupo anti-discriminação racial. Convocado para a Guerra da Coréia, fugiu do país e tornou-se procurado pelo FBI.
A vida de militante de esquerda e cristão começou cedo. Já no Brasil, engajou-se em projetos da Igreja Presbiteriana nas fábricas paulistas. Por falta de assistência adequada, perdeu o primeiro filho com Edimar Rickli, num hospital do antigo IAPC. De volta a Joaçaba, Stuart ajudou a criar os primeiros sindicatos da cidade, assumiu uma secretaria municipal e foi candidato a prefeito, em 1960, pelo PTB - perdeu por 11 votos. Dois anos depois, foi eleito deputado estadual pelo PSP. Sua oposição aos grupos oligárquicos de Santa Catarina o fez vítima de um atentado, em 1963, do qual escapou convencendo o matador a não completar o serviço porque agia contra os interesses de sua própria
classe.
Em 1964, teve seu mandato de deputado cassado depois do golpe militar. Exilou-se no México, mas voltou para o Brasil um ano depois, clandestinamente. Aqui, ingressou na Ação Popular (AP), e tornou-se importante líder oposicionista do regime. Em setembro de 1973, foi seqüestrado e levado para o DOI-CODI, onde foi morto sob tortura em 48 horas. Nem as iniciativas tomadas junto ao Departamento de Estado e ao Senado americano, já que Stuart tinha dupla cidadania, surtiram efeitos. As autoridades brasileiras continuaram negando a prisão. O corpo de Stuart ainda está desaparecido.
Fonte: http://www.maxpressnet.com.br/noticia-boxsa.asp?TIPO=CE&SQINF=366804 |