DUAS VIDAS, UMA LUTA.
Autor: José Roberto Paludo
Padre Alípio de Freitas nasceu em Portugal em 1929, chegou ao Brasil por São Luís do Maranhão em 1957 e integrou-se nas lutas das ligas camponesas junto com Francisco Julião. Nos anos 60 esteve a frente das mobilizações em defesa das reformas de base.
Paulo Stuart Wright é filho de imigrantes americanos, missionários presbiterianos. Nasceu em Joaçaba (SC) em 1933 onde ajudou a fundar o sindicato dos metalúrgicos, foi candidato a prefeito em 1961 e elegeu-se deputado estadual em 1962.
Alípio de Freitas e Paulo Wright se encontraram no ano de 1963 na frente de mobilização pelas Reformas de Base e foram os principais promotores dos comícios de março de 1964 em Santa Catarina. Depois do golpe, ensaiaram uma resistência e diante das adversidades exilaram-se para o México, Cuba, depois Europa e finalmente voltaram para o Brasil.
No Brasil se separam em diferentes organizações clandestinas, Paulo Wright ficou na Ação Popular até ser preso, em 03 de setembro de 1973, e está desaparecido desde então. Alípio de Freitas ajudou a fundar o PCBR e foi preso, enfrentando nove anos de intensa tortura e depois libertado voltou a morar em Portugal. Viaja pelo mundo inteiro trabalhando em muitas frentes de organização dos trabalhadores e denunciando as atrocidades e crimes dos militares brasileiros e latino-americanos.
No dia 29 de setembro, depois de 45 anos, Alípio de Freitas voltou a Santa Catarina, participou de uma homenagem à memória de Paulo Stuart Wright na Assembléia Legislativa, fez debate na UFSC, visitou cidades em que esteve no ano de 1964 e depois visitou a família de João Paulo Wright (filho de Paulo) em Curitiba.
Alípio de Freitas deu seu testemunho e disse que as pessoas que sobreviveram a “essa guerra” não podem se calar, pois têm que falar também pelos que morreram. Paulo Stuart Wright foi mais que um amigo, “considerava-o um irmão” e era um sujeito muito firme nas suas convicções, mas muito amável na forma. Educado, polido, e sempre usava “terno e gravata”. Portanto, se o motivo de sua cassação fora “não usar terno e gravata”, tal motivo foi uma farsa, uma mentira.
O evento foi uma iniciativa do Presidente da ALESC, deputado Jorginho Mello, acolhendo uma sugestão do deputado Pedro Uczai (PT) e contou com apoio de várias entidades: Instituto Paulo Stuart Wright, Memorial dos Direito Humanos, Pró-Memória, Igreja Presbiteriana, Sindalesc e Sintract. |